História da educação popular no Brasil: educação popular e educação de adultos

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Edições Loyola, 2003 - 527 pages
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O livro Historia da educação popular no Brasil, foi escrito no ano de 2003 por Vanilda Pereira Paiva.

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Paiva. Vanilda. História da Educação Popular no Brasil;. Educação popular e educação de adultos. 6ª ed. Revista e ampliada. São Paulo: Loyola, 2003, 527p.Vanilda Paiva trabalha em uma linguagem histórica e muitas vezes não tão fácil de ser compreendida. Seu texto é longo e embora dividido por períodos históricos e em parte para ser mais didaticamente compreendido, tem-se uma ida e vinda nos acontecimentos o que requer ampla concentração do leitor. Portanto, é um texto objetivo e que atinge a proposta de mostrar o trajeto da educação dos adultos na do Brasil numa perspectiva histórica.
Percebe-se que desde seu início, a EJA (Educação de Jovens e Adultos), esteve ligada aos movimentos sociais. Não obstante a presença e o falso interesse de ideologias políticas na tentativa de alfabetizar para massificar através de transmissão de ideologias. Cada governante e forma de governo viam na educação e principalmente na EJA, formas de sedimentar a ordem e impor maneiras e medidas de ser. Mascaravam um falso interesse pela educação quando na verdade queriam implantar seus ideais e como na visão deles analfabetos sinônimo de incapacidade no pensar, viam neles o sucesso de suas propostas ao buscarem o domínio e interesses afins. Ao se perceber que a educação é um meio pelo qual pode-se massificar política e ideologicamente, surgem disputas diversas pelo controle do poder.
A luta em favor da EJA é antiga. Mesmo que visando apenas o quantitativo, é possível perceber avanços quando, por exemplo, em 1946 o INEP conseguiu ampliação do supletivo e maior apoio do FNEP a modalidade de ensino a jovens e adultos. Houve tempos de entusiastas educacionais e otimismos pedagógicos; tudo parecia e era planejado para dar certo, mas, falhava quase sempre pelo mesmo motivo: financeiro. Otimistas estes que pensavam assim como Jucá Filho: “Ser brasileiro é ser alfabetizado.” Pena que foram vários entusiasmos existiram e foram momentâneos e infelizmente só a partir da década de 50 aparece uma educação para os adultos mais levada a sério.
Congressos, Encontros, Campanhas,Projetos, Cruzadas. Houve várias, inúmeras tentativas e interesses na criação de uma educação de EJA nos moldes que temos hoje, lembrando que o modelo atual não chega perto de ser o ideal. O II Congresso Nacional de Educação marca uma nova fase para a modalidade. Embora seja antiga a luta, as conquistas foram e são tardias, precisaria mais movimentos sociais para conseguir uma luta maior a favor da educação e dos direitos. Desde a década de 30 surgem debates mais amplos contra o analfabetismo, apenas em 1970 surge o MOBRAL. Vanilda mesmo não criticando, apresenta por dados históricos a demora de a nação brasileira se mobilizar. A EJA não é novidade, está presente desde a catequese do índios na “descoberta” do Brasil e até os dias atuais não consegue se firmar em sucesso.
A “Universidade do Povo”, ligado ao PBC é mais um dos exemplos das diversas tentativas que houve em ajustar os moldes para a EJA. Por muito o analfabetismo foi relacionado à incapacidade de organização do país e o texto apresenta bem isso. Interessante perceber a preocupação em sistematizar também a educação rural, mesmo que falha.
Ora ligada à política e ora ligada à religião dos anos 30 a 60 a educação para jovens e adultos foi tomada por lutas que envolvia várias experiências e tentativas. O nordeste, Pernambuco e especialmente o Recife foi berço de grandes idéias e importantíssimos pensadores. A educação passa a ser vista e pensada como uma forma de transpor um povo do colonial para o nacional.
Aparece a proposta de trabalhar com o homem e não para o homem. Os Movimentos de Cultura Popular tem total influência para a EJA e como objetivo principal buscavam elevar o nível cultural da população uma vez que era formado por estudantes universitários, artistas e intelectuais pernambucanos dos anos 60. Agiam sobre a luz socialista e cristã, e a idéia de aprender com
 

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